Canadá e TD Bank fazem teste com título tokenizado em blockchain
O Banco do Canadá (BoC) e a Export Development Canada (EDC) estão de férias em um projeto inovador: o “Projeto Samara”. Eles acabaram de concluir um teste que envolveu a emissão de um título governamental de 100 milhões de dólares canadenses, o que dá cerca de R$ 420 milhões na nossa moeda. O bacana é que tudo isso foi feito com a ajuda da tecnologia blockchain. Nesse pilotinho, grandes nomes do setor bancário, como o TD Bank e o Royal Bank of Canada (RBC), participaram para ver como a liquidação atômica funciona no mercado de capitais.
Esse movimento não é um acontecimento isolado. Na verdade, estamos vendo uma tendência global, onde instituições financeiras tradicionais estão buscando eficiência com livros-razão distribuídos. O projeto mostrou benefícios claros, como mais segurança nos dados e menos riscos nas transações, mas o BoC está com um pé atrás em relação à adoção em larga escala. Eles mencionaram que a integração com sistemas antigos é uma tarefa complexa. O que está rolando por aí também se alinha a iniciativas em outros lugares, como o Barclays, que está estudando a blockchain para liquidações.
O que está por trás dessa movimentação?
Para entender melhor, imagine que o que acontece hoje na emissão de títulos é como enviar um pacote pelo correio. O pacote precisa passar por várias etapas: sair do remetente, passar pelo centro de distribuição e pela alfândega, até chegar ao destinatário. Cada passo envolve documentação, checagens manuais e leva tempo (às vezes até dias). Isso cria riscos, já que o dinheiro e o ativo não trocam de mãos ao mesmo tempo.
Agora, o Projeto Samara é como um sistema de teletransporte. Quando o banco compra o título e envia o dinheiro digital, o ativo chega instantaneamente na carteira dele. Não há intermediários nem dias de espera.
A grande estratégia por trás disso é a “liquidação atômica”. Para governos e grandes bancos, isso significa liberar bilhões que estão retidos, garantindo que tudo ocorra sem falhas. Esse movimento positivo mostra que a tokenização de ativos está cada vez mais em prática, usando a blockchain não para especulação, mas para melhorar o sistema financeiro global.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
O piloto trouxe à tona informações valiosas sobre como essa transição pode funcionar:
- Volume da emissão: O teste incluiu um título de três meses de 100 milhões de dólares canadenses, liquidado entre um grupo fechado de investidores.
- Tecnologia utilizada: O Hyperledger Fabric foi a base para gerenciar todas as etapas do título, desde a emissão até a negociação secundária.
- Ganhos operacionais: O relatório destacou melhorias na integridade dos dados e uma redução nas dificuldades de liquidação, com transações quase instantâneas.
- Desafios de escalabilidade: Apesar do sucesso, o BoC observou que as melhorias foram parcialmente compensadas por uma complexidade maior e custos de liquidez, indicando que ainda há barreiras práticas a se superar.
- Contexto regulatório: O Canadá planeja implementar regras para stablecoins até 2026, pedindo que elas tenham um lastro 1:1 em ativos líquidos.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para nós, investidores brasileiros, esse projeto canadense, mesmo com títulos em moeda estrangeira, mostra uma tendência que pode impactar diretamente o mercado de renda fixa global, incluindo o Brasil. A participação de bancos tradicionais como o TD Bank destaca que a tokenização de Ativos do Mundo Real (RWA) é o próximo passo para a liquidez. Já temos movimentos similares por aqui, como o Drex (ou Real Digital) e os teste de títulos tokenizados do Tesouro Nacional. Isso significa que em breve poderemos acessar títulos públicos com liquidação instantânea e fracionamento facilitado via blockchain.
Além disso, a aceitação dessa tecnologia por um banco central do G7 ajuda a diminuir a percepção negativa sobre a infraestrutura cripto. Casos recentes de tokenização aprovados nos EUA mostram que as barreiras entre o mercado tradicional e o digital estão se esfumando. Para quem investe em criptoativos, isso fortalece a ideia de que as infraestruturas para RWA são o futuro, com a demanda institucional por esses “caminhos” digitais se tornando cada vez mais real.
Riscos e o que observar
Ainda existem alguns riscos, a começar pelo risco de integração e a possibilidade de fragmentação da liquidez. O Banco do Canadá deixou claro que, mesmo com a viabilidade técnica, a adoção em larga escala vai ser lenta. Um grande risco para o mercado é a formação de “ilhas de liquidez”, onde ativos tokenizados em uma blockchain não conseguem se comunicar com sistemas antigos ou outras blockchains, tornando as transações mais caras.
Outro ponto a ficar de olho é o risco regulatório. O sucesso técnico não garante uma aprovação legal imediata. O Canadá está se preparando para 2026, mas ainda há lacunas nas regulamentações atuais que precisam ser preenchidas para que esses testes se tornem a norma do mercado.
Investidores devem ficar atentos ao lançamento das novas diretrizes para stablecoins no Canadá e o progresso do projeto Drex no Brasil nas próximas semanas e meses. O alinhamento das regras canadenses e brasileiras para ativos tokenizados pode indicar um padrão global de conformidade, impactando quais plataformas de RWA vão prosperar.





